
Isabela Capeto divide, pela primeira vez, a direção criativa com sua filha, Chica Capeto. E transforma continuidade em movimento. Juntas, elas trazem um olhar que se desdobra, se atualiza e se projeta no tempo. Apresentada no Rio Fashion Week, a coleção Dracena é construída a partir de uma ideia central: a obra só se completa na ação e na interação com o espectador. É nesse ponto que a coleção se aproxima do pensamento neoconcreto, não como referência estética, mas como princípio. Assim como nas obras de Hélio Oiticica, a cor aqui não é estática, a forma não é fixa e a roupa não se encerra no cabide. Tudo se ativa no corpo.
Inspirada na dracena, planta de silhueta gráfica e folhas alongadas, a coleção transforma suas linhas orgânicas em composições visuais que evocam a força da arte brasileira. Elementos de um jardim, como flores, folhagens e insetos, aparecem como fragmentos de um mundo vivo, enquanto xadrezes e composições em blocos costuram geometria e natureza.
A cor conduz essa transformação. Fúcsia, vermelho e amarelo cevado, tons muito presentes na obra de Oiticica, não apenas ocupam a superfície, como vêm com a intenção de tridimensionar as cores. Há leveza, transparência, fluidez e, sobretudo, a consciência de construção de uma roupa que ganha vida no corpo e na relação com o outro.
No trabalho de Isabela Capeto, o fazer manual não é meio, é fundamento, é a própria obra em construção. A entrada de Chica Capeto reorganiza esse processo, trazendo um olhar que edita, recorta e reposiciona. Dracena é uma coleção sobre aquilo que se transmite e se transforma, sobre um legado que não se preserva intacto, mas se renova a cada gesto.


































